Thursday
um monte delas. e só uma.
a começar e finalizar por você:
coisas.
semana.
lógica.
conceito.
e só um contexto.
coisas.
semana.
lógica.
conceito.
e só um contexto.
Tuesday
Center of Gravity
eu entendo, eu respeito, eu entendo, eu te alivio, eu te curo, eu evito, eu me retiro, eu te retiro, eu falo pouco, eu falo tudo, eu falo em siglas, eu ouço, eu agradeço, eu encurto, eu encurto, eu termino, eu me retiro, eu projeto, eu concluo, eu me evito, eu não entro mais, eu não penso, eu distraio, eu entendo, eu respeito, eu entendo, eu te alivio, eu te curo, eu evito, eu penso, eu desconforto, eu troco, eu substituo, eu procuro, eu procuro, eu procuro, eu desculpo, eu não entro, eu não quero, eu minto, eu não vejo, eu não sinto, eu não amo, eu não arrisco, eu não corro risco,
eu te alivio
eu te curo
mas eu quero
me desculpa.
mas eu quero.
eu te alivio
eu te curo
mas eu quero
me desculpa.
mas eu quero.
Monday
Quando 1939 pode fazer sentido em 2010.
" (...) São contornos nítidos, dando a impressão perfeita da distância que separa um objeto do outro."
Tarsila do Amaral.
Tarsila do Amaral.
Sunday
Nascemos quando nos permitimos morrer.
'Nossa casa ficava perto da estação Barra Funda. Um dia saí de casa, amarrei fortemente minhas tranças de menina, deitei debaixo dos dormentes e esperei o trem passar por cima de mim. Foi uma coisa horrível, indescritível. O barulho ensurdecedor, a deslocação de ar, a temperatura asfixiante deram-me a impressão de delírio e loucura. E eu via cores e cores riscando o espaço, cores que eu desejaria fixar para sempre na retina assombrada. Foi a revelação.
Voltei decidida a me dedicar à pintura."
Anita Malfatti.
Voltei decidida a me dedicar à pintura."
Anita Malfatti.
Friday
E daí alguém pega na sua mão.

Recebi um email bonito hoje de manhã, enviado por ela, igualmente amada, que me ouve quase todos os dias.
Em uma sexta-feira de ansiedades, decisões e projeções, lembro-me claramente de uma outra amiga minha, americana, ter me pedido um dia "Could you hold my hand, Julia?" e oferecido sua mão. Quando o fiz, ela falou por entre os lábios: "Thank you'.
O legal de morar fora e falar outra lingua é que você acaba entendendo, de fato, a outra lingua. Ressignificando expressões que estavam ali fazendo parte do seu cotidiano nacional e da forma mais banal possível e, quando volta, passa a ver o seu mundo e relacionamentos com outros olhos.
E esta, é minha visão literal de encontros e afinidades de relações ao longo da vida:
"Hold my hand.", "I wanna hold your hand."
Acho sim que no final do dia, é o que a gente quer. É só o que a gente quer. Fisicamente. Emocionalmente. Passamos a vida inteira procurando por isso.
Imagine que a vida é um grande círculo e você está caminhando por dentro dele. Existem mais de 400 pessoas ali. E então você caminha lentamente, passando uma a uma, olhando nos olhos para ver quem olha profundo assim também, e de volta. Às vezes encontramos olhares. Às vezes encontramos mãos. Às vezes ficam. E às vão.
'Hang loose.'ou 'Let it go.'
Ao encontrar, não tente arrastar. Além de um esforço extremo e dores nos braços, só estaremos tirando a pessoa do seu próprio círculo e ritmo. Até chatear-nos e andarmos cabisbaixos e cansados por mais uma ou duas voltas, deixando de olhar mais 400 ou 800 pessoas.
'Don't settle. You've got to find what you love.'
Mas daí alguém pega na sua mão. E é tão leve e natural, tão orgânico e fluido, que dá pra seguir junto. O círculo vira um passeio. Um passeio vira uma viagem. Uma viagem vira uma vida de descobertas e caminhos. Simples, lado a lado.
Ao lado.
É disso que sou a favor, em absloutamente todas as minhas manifestações.
Não quero frentes. Não quero o dentro, a mescla. O de cima, o de baixo, o de fora. Não quero o atrás. Não quero fusões.
O lado.
Porque é só assim que conseguimos dar e segurar vossas mãos.
E daí, quando recebo um email com uma imagem assim, em uma sexta-feira de ansiedades, decisões e projeções, eu lembro de todas as escolhas que fiz quando caminhava pelo meu círculo.
E as que ficaram, escolhas sólidas como esta, me fazem reassegurar quem eu sou.
From little gestures, big things grow.
And you are loved, wherever you are.
Wednesday
Tremendamente errada.
Alguma coisa estava tremendamente errada.
Acordou e não sentiu seus pés. Colocou-os no chão, mas como nada sentia, não sabia se aquilo era 'chão'.
Arrastou-se de joelhos por uma superfície aparentemente líquida.
(Seriam suas próprias lágrimas derramadas enquanto dormia?)
Vindo do Térreo, o som seco e ruidoso da voz de Elis alcançava seus ouvidos.
Tremendamente errada, alguma coisa estava tremendamente errada.
Acordou e não sentiu seus pés. Colocou-os no chão, mas como nada sentia, não sabia se aquilo era 'chão'.
Arrastou-se de joelhos por uma superfície aparentemente líquida.
(Seriam suas próprias lágrimas derramadas enquanto dormia?)
Vindo do Térreo, o som seco e ruidoso da voz de Elis alcançava seus ouvidos.
Tremendamente errada, alguma coisa estava tremendamente errada.
All we want.

And then we got back to London.
Just like religion or faith, we'd always come back.
Meet The Church of London.
Tuesday
Time [went by in a] Sheet.
Saturday, 3PM.
Pitch Rehearsal
Total time spent: 30%
(that was the afternoon you started leaving me)
Monday, 11AM.
Pitch Results
Total time spent: 5%
(that was the morning you didn't answered me)
Wednesday, 6PM.
New Pitch Brief
Total time spent: 13%
(that was the afternoon I was sure)
Friday, 8AM.
Pitch Presentation
Total time spent: 40%
(that was the morning I took your things out of my house)
Saturday, 3PM.
Enhancing Self Steam
Total time spent: 12%
(that was the afternoon I realized I was absolutely satisfied with myself)
Pitch Rehearsal
Total time spent: 30%
(that was the afternoon you started leaving me)
Monday, 11AM.
Pitch Results
Total time spent: 5%
(that was the morning you didn't answered me)
Wednesday, 6PM.
New Pitch Brief
Total time spent: 13%
(that was the afternoon I was sure)
Friday, 8AM.
Pitch Presentation
Total time spent: 40%
(that was the morning I took your things out of my house)
Saturday, 3PM.
Enhancing Self Steam
Total time spent: 12%
(that was the afternoon I realized I was absolutely satisfied with myself)
Wednesday
strawberry lemonade
outro dia, vendo um filme, cheguei à uma conclusão: preciso, como nunca, ver o nascer de um dia. acordar para viver o nascer do sol. numa montanha distante, de preferência.
é isso. estamos no inverno. e não há nada como respirar um ar frio que tudo limpa, tendo um ventinho gelado para beijar as bochechas e a ponta do nariz.
é isso. estamos no inverno. e não há nada como respirar um ar frio que tudo limpa, tendo um ventinho gelado para beijar as bochechas e a ponta do nariz.
Tuesday
Monday
Friday
Cinzas.
Acordou com uma leve tristeza à seu lado naquela manhã.
Abriu os olhos, fitou o teto em silêncio. Algo estava estranho dentro dela. Não soube identificar. Olhou o relógio, dez e meia, precisava sair da cama.
Enquanto andava pelos corredores da casa, planejava seu dia: compraria tintas, faria ligações, passaria para dar um beijo em sua mãe, veria um novo apartamenteo, chegaria ao trabalho, provavelmente falaria com algumas pessoas, trabalharia eficientemente e voltaria feliz à casa.
Mas acordou com uma leve tristeza à seu lado naquela manhã.
Na loja de tintas percebeu que algo lhe faltava. Uma sensação de perda descabida para a situação. Um gosto estranho veio à boca. Parecia alumínio, não soube identificar. Sentiu-se tonta, questionou saudades, desconsiderou gravidez, lembrou da noite anterior. "Deve ser o vinho.", pensou.
- Quanto foi?
- Cento e vinte e sete reais, senhora.
- Obrigada.
Desceu sua antiga rua, no seu antigo bairro. Aquele gosto, ainda. Estacionou o carro em sua antiga garagem, sentou-se à mesa, tomou café da manhã, sorriu, contou, beijou a mãe e saiu.
- Chego aí à uma, ok?
- Sim, estarei te esperando. Nós vamos ver o décimo quinto andar, conforme você me solicitou.
Queria voltar ao alto. A vida inteira morou no topo. Mas quando entrou ali, naquele pequeno apartamente de imenso vazio, quis agradecer internanemte por sua casa atual, quis abraçar-se por inteira. Se dar a mão.
Mas havia esquecido que, naquela manhã, quem acordara à seu lado para dar as mãos havia sido uma leve tristeza.
De volta ao carro, fechou apressadamente a porta e o ligou. Queria ligar, e não iria. Queria contar e não havia para quem. Queria dividir e não sabia porque. Queria um abraço e não sabia por quê. Só. Era só um pequenino apartamento. Mas aquela experiência revelou que algo grande parecia morar dentro dela, desde aquela manhã.
A cidade estava tranquila. Seu coração, apressado. Aquele gosto na boca, ainda. Quando chegou ao trabalho, notou que tinha um furo no estômago. Não tinha fome. Não tinha reação. Mas tinha um grande vazio.
Não havia um por quê claro: a noite anterior havia sido extremamente calma e agradável. O dia anterior havia usado para redecorar toda sua casa. Queria o novo. Sua sala. Seus sofás. Seus aconchegos. Tv. Dvds. Caixas. 'Era tão metódico que guardava seus sentimentos em caixinhas.' lembrou da frase inventada por ela mesma.
Quanto mais as horas passavam, mais o gosto acentuava. Arrastou-se à garagem quando o relógio avisou oito da noite. Sua casa. Acendeu as luzes, ligou a Tv, estava orgulhosa daquela mudança.
Mas algo estava do seu lado, ainda. Aquele gosto, ainda. Disfarçando, ainda. Flertou em sms, ligou para a amiga, comeu algo e... nada.
Tentou de tudo. E tudo estava igual.
Alumínio. Amargo. Furo. Uma superfície lisa e sem perspectivas. Morta. Frio. Branco, muito branco.
Era assim que tateava uma descrição sobre o que estava ali dentro.
Foi quando abriu a geladeira e se deu conta.
Entendeu porque acordou com a tristeza à seu lado naquela manhã. Entendeu o gosto amargo. Entendeu o desânimo sem motivos. Entendeu seu olhar acinzentado para seu dia.
Porque tudo fez sentido ao ver o lindo e dourado pote de Geléia de Rosas libanesa.
Rosas. Flores.
Fechou a geladeira. Voltou ao sofá. Desligou a televisão. Respirou fundo.
Silêncio.
Naquela quarta-feira de cinzas, havia vivido um luto muito importante.
Porque nos últimos dias, havia enterrado vocês.
Abriu os olhos, fitou o teto em silêncio. Algo estava estranho dentro dela. Não soube identificar. Olhou o relógio, dez e meia, precisava sair da cama.
Enquanto andava pelos corredores da casa, planejava seu dia: compraria tintas, faria ligações, passaria para dar um beijo em sua mãe, veria um novo apartamenteo, chegaria ao trabalho, provavelmente falaria com algumas pessoas, trabalharia eficientemente e voltaria feliz à casa.
Mas acordou com uma leve tristeza à seu lado naquela manhã.
Na loja de tintas percebeu que algo lhe faltava. Uma sensação de perda descabida para a situação. Um gosto estranho veio à boca. Parecia alumínio, não soube identificar. Sentiu-se tonta, questionou saudades, desconsiderou gravidez, lembrou da noite anterior. "Deve ser o vinho.", pensou.
- Quanto foi?
- Cento e vinte e sete reais, senhora.
- Obrigada.
Desceu sua antiga rua, no seu antigo bairro. Aquele gosto, ainda. Estacionou o carro em sua antiga garagem, sentou-se à mesa, tomou café da manhã, sorriu, contou, beijou a mãe e saiu.
- Chego aí à uma, ok?
- Sim, estarei te esperando. Nós vamos ver o décimo quinto andar, conforme você me solicitou.
Queria voltar ao alto. A vida inteira morou no topo. Mas quando entrou ali, naquele pequeno apartamente de imenso vazio, quis agradecer internanemte por sua casa atual, quis abraçar-se por inteira. Se dar a mão.
Mas havia esquecido que, naquela manhã, quem acordara à seu lado para dar as mãos havia sido uma leve tristeza.
De volta ao carro, fechou apressadamente a porta e o ligou. Queria ligar, e não iria. Queria contar e não havia para quem. Queria dividir e não sabia porque. Queria um abraço e não sabia por quê. Só. Era só um pequenino apartamento. Mas aquela experiência revelou que algo grande parecia morar dentro dela, desde aquela manhã.
A cidade estava tranquila. Seu coração, apressado. Aquele gosto na boca, ainda. Quando chegou ao trabalho, notou que tinha um furo no estômago. Não tinha fome. Não tinha reação. Mas tinha um grande vazio.
Não havia um por quê claro: a noite anterior havia sido extremamente calma e agradável. O dia anterior havia usado para redecorar toda sua casa. Queria o novo. Sua sala. Seus sofás. Seus aconchegos. Tv. Dvds. Caixas. 'Era tão metódico que guardava seus sentimentos em caixinhas.' lembrou da frase inventada por ela mesma.
Quanto mais as horas passavam, mais o gosto acentuava. Arrastou-se à garagem quando o relógio avisou oito da noite. Sua casa. Acendeu as luzes, ligou a Tv, estava orgulhosa daquela mudança.
Mas algo estava do seu lado, ainda. Aquele gosto, ainda. Disfarçando, ainda. Flertou em sms, ligou para a amiga, comeu algo e... nada.
Tentou de tudo. E tudo estava igual.
Alumínio. Amargo. Furo. Uma superfície lisa e sem perspectivas. Morta. Frio. Branco, muito branco.
Era assim que tateava uma descrição sobre o que estava ali dentro.
Foi quando abriu a geladeira e se deu conta.
Entendeu porque acordou com a tristeza à seu lado naquela manhã. Entendeu o gosto amargo. Entendeu o desânimo sem motivos. Entendeu seu olhar acinzentado para seu dia.
Porque tudo fez sentido ao ver o lindo e dourado pote de Geléia de Rosas libanesa.
Rosas. Flores.
Fechou a geladeira. Voltou ao sofá. Desligou a televisão. Respirou fundo.
Silêncio.
Naquela quarta-feira de cinzas, havia vivido um luto muito importante.
Porque nos últimos dias, havia enterrado vocês.
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