Eu recebo uns emails do Grupo de Jovens de uma determinada Igreja.
Sim, uma Igreja.
É, Católica.
Foi em 2008, anos (ahn-ham) atrás, quando um belo domingo acordei desesperançosa e fui até lá. Participei de uma daquelas reuniões e foi bom. Foi ok.
- Legal, Julia. Adoramos você!! Me dá seu email que daí a gente te inclui na Lista! [sorrisos animados]
- (... ) Tá bem... [sorrisos amarelos]
Quase todos os dias, há mais de dois anos eu recebo estes emails. Portanto, já faz parte da minha rotina vê-los em negrito no meu Inbox.
Mas hoje, ai, hoje eu decidi ler o conteúdo. O Tema das discussões e das próximas aulas aos domingos sagrados é "A Moral Sexual".
O email tem vídeo.
Tem Padre.
Tem apostila.
Tem sinos.
E eu, desejos de me tirar desta lista.
Mas daí me pergunto: Se me tirar, Deus castiga?
Friday
Thursday
Os dias correram como cavalos selvagens nas montanhas.
Foram dias que correram livres como um respirar aliviado.
Foram dias que fluíram como um mergulho no mar de sí mesma.
Foram dias que cavalgaram com a força de um longo, profundo e delicado caso de amor próprio.
Naquela manhã quis comprar mais livros de arte e enfeitar-se. Pintou o cabelo, comprou mais vermelho.
Falou mais alto e marcou mais passos. Disse verdades, declarações de amor. Entendeu amizade. Voltou a adolescência. Chorou baixinho e aprendeu um rezar diferente.
Recebeu amigos em casa. Abriu mais portas e deu mais caras a tapa.
Assumiu medos, defeitos e nós. Infinitos nós.
Nós coloridos, cinzas, pretos, brancos, grossos, finos, leves, rendandos, de lã, de linho, de tintas e giz de ceras.
Nós, infantis. Nós, adolescentes. Nós, adultos. Nós, velhos.
Nós mortos.
Para um dia renascer. Olhar o mar, rezar baixinho, pintar, dançar. Mais do que nunca, se recriar.
E foi a partir deste dia que todos os seguintes passaram a correr como cavalos selvagens nas montanhas.
Foram dias que fluíram como um mergulho no mar de sí mesma.
Foram dias que cavalgaram com a força de um longo, profundo e delicado caso de amor próprio.
Naquela manhã quis comprar mais livros de arte e enfeitar-se. Pintou o cabelo, comprou mais vermelho.
Falou mais alto e marcou mais passos. Disse verdades, declarações de amor. Entendeu amizade. Voltou a adolescência. Chorou baixinho e aprendeu um rezar diferente.
Recebeu amigos em casa. Abriu mais portas e deu mais caras a tapa.
Assumiu medos, defeitos e nós. Infinitos nós.
Nós coloridos, cinzas, pretos, brancos, grossos, finos, leves, rendandos, de lã, de linho, de tintas e giz de ceras.
Nós, infantis. Nós, adolescentes. Nós, adultos. Nós, velhos.
Nós mortos.
Para um dia renascer. Olhar o mar, rezar baixinho, pintar, dançar. Mais do que nunca, se recriar.
E foi a partir deste dia que todos os seguintes passaram a correr como cavalos selvagens nas montanhas.
Wednesday
De quando eu queria que fosse hoje.

Encontrei esse bilhete.
Está datado de um mês 9 perdido entre tantos outros já vividos. Por um segundo me alivio de pensar que esse cuidado nem faz tanto tempo assim, só pouco mais de um ano.
Já no segundo seguinte, me dou conta que faz... que faz tempo sim. Que esse mês 9 era de 2007 ou mesmo de 2005.
Penso em 2005. Seis, sete, oito, nove, dez, onze.
Saudade desse romantismo quase inocente em época de amadurescimento. Saudades de paixões declaradas, de receber flores no meio do trabalho. Da surpresa ao receber um cuidado, de achar alguém que tinha encanto e coragem suficientes para demonstrar.
Onde foi mesmo que perdi esses anos todos?
Onde foi mesmo que deixei a covardia alheia seduzir a esse ponto?
Onde foi que afastei as pessoas seguras, onde lancei-me em mares de dúvidas e convidei todos a navegar comigo? Onde foi que as certezas se esvaíram e olhares multiplicaram?
Onde foi que endureci?
Quais foram as minhas flores que deixei morrer?
Mais água. Viver mais a emoção.
Eu queria que esse dia 16, esse dia 17, fosse hoje.
Volta, Bobagem? Volta um pouco aqui pra mim que essa dureza toda tem me matado devagarzinho...
Friday
Feelings.
Quando você sente que hoje vai dar um problema e dá.
Quando você sente que ir não vai ser tão bom assim e não é.
Quando você sente que talvez não seja muito bem aquilo e não é mesmo.
Quando você sente que talvez esteja na contra-mão e de fato está.
Quando você se pergunta "Será que vou ficar louca?" ... é porque já está?
Quando você sente que ir não vai ser tão bom assim e não é.
Quando você sente que talvez não seja muito bem aquilo e não é mesmo.
Quando você sente que talvez esteja na contra-mão e de fato está.
Quando você se pergunta "Será que vou ficar louca?" ... é porque já está?
Monday
Escrito em Jet Lag.
Poderia ser mais um longo cansaço em minha vida.
Eu justificaria isso pela quantidade de danças, risadas, presenças, profundidades e tons auto-sarcásticos. Eu acrescentaria os olhares, falta ou presença de timmings e cuidados polidos.
Devo somar também cuidados com outros que nos levaram a subtrações.
E à nossa sub-atração de hoje.
A atração que foi se esvaindo, que virou ansiedade, que virou falta de foco, que virou segundo plano, que virou sub e não prima, que virou velada. Intocada.
Uma soma e muitas subtrações de horas tiveram como resultado a nossa sub-atração de hoje.
Proponho longo descanso.
Feche os olhos, solte o cinto, os papéis e esta borracha.
Porque vou reescrever duas determinadas pessoas.
E estas, quero que durem mais que a diferença de nossos fuso-horários, muito além de cansaços e estações finais.
Eu justificaria isso pela quantidade de danças, risadas, presenças, profundidades e tons auto-sarcásticos. Eu acrescentaria os olhares, falta ou presença de timmings e cuidados polidos.
Devo somar também cuidados com outros que nos levaram a subtrações.
E à nossa sub-atração de hoje.
A atração que foi se esvaindo, que virou ansiedade, que virou falta de foco, que virou segundo plano, que virou sub e não prima, que virou velada. Intocada.
Uma soma e muitas subtrações de horas tiveram como resultado a nossa sub-atração de hoje.
Proponho longo descanso.
Feche os olhos, solte o cinto, os papéis e esta borracha.
Porque vou reescrever duas determinadas pessoas.
E estas, quero que durem mais que a diferença de nossos fuso-horários, muito além de cansaços e estações finais.
Crossing roads in Madrid.
It's about who I am,
And where I wanna be.
It's about where I am,
And who I wanna be.
And where I wanna be.
It's about where I am,
And who I wanna be.
Thursday
Wednesday
A noite do Hotel Drake Longchamp.
Se eu não tivesse chegado aqui sozinha, o Hotel Drake Longchamp não pareceria tão mal assombrado.
Ou melhor, recomeçando: se eu não tivesse chegado aqui sozinha, Geneva não pareceria tão mal assombrada.
Uma desconhecida em um país que gosto. Gostamos.
Com um lago grande, frio e calmo.
Foi por isso que vim.
Mas na sua ausência, ele me dá medo. O banheiro parece mais feminino e faz com que eu me sinta há séculos passados de distância de você. Os azulejos decorados, o espelho sanfonado, o porcelanato rosa-antigo lembram-me a infância em Taubaté, e me dou conta de outras tantas distâncias.
Na bancada do quarto, o livro sobre a Arte da Hotelaria me faz rir e a assinatura xerocada de Ronald Regan me dá a certeza de que você riria comigo.
Daí me enrosco em risadas e cortinas, e vejo o Lago, de novo. Tão grande, tão frio e tão calmo.
Abro a janela e o frio nem é tão frio assim. São dois graus... pensar que já estivemos a zero de separação.
Deixo o silêncio da Suíça entrar no meu quarto, rezando ali no fundo do coração para ouvir um suspiro seu vindo da Áustria.
Deito na cama e as camas de solteiros juntas não me incomodam. Porque delas vejo a grandiosidade, o lago, as luzes e todas as minhas vontades refletidas em cada uma delas.
Vontades, seria no quarto do Hotel Drake Longchamp que você diria o quanto sentiu minha falta.
Seria aqui que te contaria todas as coisas que aconteceram na minha vida nos últimos seis meses. E o martírio, a loucura e o furacão que ela virou depois que você partiu. Seria aqui que você me ouviria como nenhuma outra pessoa quis ouvir.
Seria aqui onde eu assumiria que amo você.
Seria aqui que você se permitiria chorar. Seria aqui que eu me permitiria chorar.
Seria aqui que você voltaria atrás. Seria aqui que eu aceitaria.
Seria aqui que eu ligaria para minha família enquanto você seguraria minha mão, me dando realidade para descrever o tamanho da minha felicidade.
Seria aqui, no quarto do Hotel Drake Longchamp, de frente para o Lago Geneva, nesta noite de dois graus, onde eu finalmente entenderia o porquê você cruzou meu caminho.
Seria nesta noite.
Porque em todas as outras, eu não me conformo com a nossa grande, fria e calma separação.
Ou melhor, recomeçando: se eu não tivesse chegado aqui sozinha, Geneva não pareceria tão mal assombrada.
Uma desconhecida em um país que gosto. Gostamos.
Com um lago grande, frio e calmo.
Foi por isso que vim.
Mas na sua ausência, ele me dá medo. O banheiro parece mais feminino e faz com que eu me sinta há séculos passados de distância de você. Os azulejos decorados, o espelho sanfonado, o porcelanato rosa-antigo lembram-me a infância em Taubaté, e me dou conta de outras tantas distâncias.
Na bancada do quarto, o livro sobre a Arte da Hotelaria me faz rir e a assinatura xerocada de Ronald Regan me dá a certeza de que você riria comigo.
Daí me enrosco em risadas e cortinas, e vejo o Lago, de novo. Tão grande, tão frio e tão calmo.
Abro a janela e o frio nem é tão frio assim. São dois graus... pensar que já estivemos a zero de separação.
Deixo o silêncio da Suíça entrar no meu quarto, rezando ali no fundo do coração para ouvir um suspiro seu vindo da Áustria.
Deito na cama e as camas de solteiros juntas não me incomodam. Porque delas vejo a grandiosidade, o lago, as luzes e todas as minhas vontades refletidas em cada uma delas.
Vontades, seria no quarto do Hotel Drake Longchamp que você diria o quanto sentiu minha falta.
Seria aqui que te contaria todas as coisas que aconteceram na minha vida nos últimos seis meses. E o martírio, a loucura e o furacão que ela virou depois que você partiu. Seria aqui que você me ouviria como nenhuma outra pessoa quis ouvir.
Seria aqui onde eu assumiria que amo você.
Seria aqui que você se permitiria chorar. Seria aqui que eu me permitiria chorar.
Seria aqui que você voltaria atrás. Seria aqui que eu aceitaria.
Seria aqui que eu ligaria para minha família enquanto você seguraria minha mão, me dando realidade para descrever o tamanho da minha felicidade.
Seria aqui, no quarto do Hotel Drake Longchamp, de frente para o Lago Geneva, nesta noite de dois graus, onde eu finalmente entenderia o porquê você cruzou meu caminho.
Seria nesta noite.
Porque em todas as outras, eu não me conformo com a nossa grande, fria e calma separação.
Tuesday
A história de quem não pertencia.
Não demorou muito para cair em sí: tudo a sua volta estava caindo por terra.
Eram amigos que belamente decepcionavam, relacionamentos que não durariam mais uma manhã, casas que não satisfaziam, e empregos...bem... empregos que não se acertariam.
Era uma saudade de algo que nem sabia o que era. Justamente porque ela não mais pertencia àquilo que um dia teve.
Por não ter nada, teria que recomeçar do zero. Ou largar mão de vez.
Lembrou da astróloga dizendo:"Estás vivendo o melhor ano da sua vida!" Logo em seguida, quis desistir de tudo. Porque se esse era o melhor ano, rá, imagine o pior.
O gosto da boca era estranho, o corpo estava adoecido, o peito dolorido, o ego esquecido, o brilho apagado. As projeções mais nada diziam, por mais que ela insistisse que dalí sairia a resposta.
Um ano para qual muitas coisas ela disse "chega!". Um ano de muitos e muitos erros. Um ano de excessos, um ano de abusos. Um ano de abusos profissionais, mentais, sexuais, financeiros e físicos. Um ano de surpresas tristes, de negações pessoais. De laços soltos e revelações amargas. Um ano de expectativas e vazios. Um ano de buscas e encontros rasos.
Enfim um ano forçadamente que era mais ela, porque os outros já não correspondiam.
Eram amigos que belamente decepcionavam, relacionamentos que não durariam mais uma manhã, casas que não satisfaziam, e empregos...bem... empregos que não se acertariam.
Nunca quis tanto que o ano chegasse ao fim.
Porque pelo menos a isso, aos 'fins', ela ainda pertencia.
Eram amigos que belamente decepcionavam, relacionamentos que não durariam mais uma manhã, casas que não satisfaziam, e empregos...bem... empregos que não se acertariam.
Era uma saudade de algo que nem sabia o que era. Justamente porque ela não mais pertencia àquilo que um dia teve.
Por não ter nada, teria que recomeçar do zero. Ou largar mão de vez.
Lembrou da astróloga dizendo:"Estás vivendo o melhor ano da sua vida!" Logo em seguida, quis desistir de tudo. Porque se esse era o melhor ano, rá, imagine o pior.
O gosto da boca era estranho, o corpo estava adoecido, o peito dolorido, o ego esquecido, o brilho apagado. As projeções mais nada diziam, por mais que ela insistisse que dalí sairia a resposta.
Um ano para qual muitas coisas ela disse "chega!". Um ano de muitos e muitos erros. Um ano de excessos, um ano de abusos. Um ano de abusos profissionais, mentais, sexuais, financeiros e físicos. Um ano de surpresas tristes, de negações pessoais. De laços soltos e revelações amargas. Um ano de expectativas e vazios. Um ano de buscas e encontros rasos.
Enfim um ano forçadamente que era mais ela, porque os outros já não correspondiam.
Eram amigos que belamente decepcionavam, relacionamentos que não durariam mais uma manhã, casas que não satisfaziam, e empregos...bem... empregos que não se acertariam.
Nunca quis tanto que o ano chegasse ao fim.
Porque pelo menos a isso, aos 'fins', ela ainda pertencia.
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