Saturday

Tudo aquilo que ela não queria.

Foi se passando assim como gata manhosa. Existia, mas não queria ser encontrada. Seu prazer ficava escondido em um lugar que poucos conheciam. Na verdade, ela quase não se achava mais. Até que um dia a viram. Estava viva. Mas não como antes. Foi tão triste.

Trap Friendship.

Hoje uma das minhas melhores amigas contou que está indo morar na Europa, de novo. Fica lá por, no mínimo, dois anos. Ela já comprou tudo. Vai em Agosto e neste mesmo Agosto eu estarei lá.
Não vamos nos ver, não vamos nos despedir.Não é a toa que essa música não me sai da cabeça.

Amizade-armadilha é assim. Rara, bonita. Daquelas que você entra e não sai mais.
O problema? É que doi, de novo.

Wolf Trap Motel, por The Husky Rescue.
I welcome you to wolf trap motel
So this will be...
So this will be your home and shelter
Your home and shelter...

No need to check-in
No need to put your name on papers
And you can leave whenever you want
Whenever you want

Leave on Monday
Leave on Tuesday
Leave on Wednesday
Leave on Thursday
Leave on Friday
Leave on Saturday
Leave on Sunday
Leave on Monday
Leave on Tuesday
Leave on Wednesday
(...)

Natalia Magdalena, 121 days ago.

Dai fui para um apartamento
Que tava todo grafitado
E um monte de lata de spray no chão.
Fiz um PoodleMen e fui para o aeroporto.

Barcelona
Todo mundo abandonou alguma coisa para estar ali.

Ela disse que não acreditava em nada daquilo.
Até acreditar.

Quando pensou que tudo ia mudar.

Wednesday

6 de Dezembro de 2016

Eu tenho essa ideia de vida de artista. Nela, eu sou linda e magra e charmosa e criativa. Criativa eu disse. Eu moro na Europa, em algum país nórdico. Suécia ou Dinamarca. Eu fiz a minha tatuagem na Dinamarca, sabia? Essa, do coração no meu pulso. Enfim. Na minha vida de artista na Dinamarca ou na Suécia eu sou parecida com a eu daqui da vida real... no sentido de estágio da vida. Eu não sou rica. Eu não sou famosa. Talvez com certo sucesso mas longe de ser hot or big shot. Eu sou striving, não achiever. Mas achei meu nicho, nessa minha vida fabricada. Eu sou convidada para openings, tenho um grupo de amigos e vez ou outra saio com pessoas que conheci aqui ou acolá. Não sei se sou casada, divorciada, solteira ou apenas tenho um namorado. Mas sei que já não sofro mais. Porque, convenhamos, na minha vida real eu já sofri demais. Esse blog comprova. E como. Continuando: nessa vida de artista na Dinamarca eu sou legal. Sou simple e easy going. Eu amo meus amigos. E eles me amam. Por que? Porque temos tempo um para o outro. Trabalhamos duro, mas vivemos também. A vida fabricada não é gerida pelo trabalho e por meu marido, como na minha vida real. Eu me sinto jovem e leve. Não tenho dores nas costas de carregar o mundo dos meus clientes na lombar. Tenho dores no coração -- de saudades e talvez até de amor. Pois sinto saudades de não ter mais essas dores. Outro dia eu disse para o meu marido: "Desde que estamos juntos a minha tristeza foi embora só que o problema é que junto com a tristeza foi também a minha inspiração." . Eu estou te dizendo, a minha vida (real) não é fácil. Mas a minha vida de artista-striver é. Ou é, pelo menos, mais divertida. Mais sofrida. Mais amada. Mais leve. Definitivamente mais alegre. Sabe, tem essa dor dentro de mim (eu real). Uma dor de perda. Todos os dias eu perco a vida um pouquinho. E a vida me perde um pouquinho. Seguimos assim, nos perdendo. É legal quando nos achamos. Mas dura pouco. Pois nos achamos nas memórias perdidas do meu passado. Só pra depois eu ficar órfã de mim mesma, de novo. Tenho certeza que eu na versão artista saberia o que fazer com isso. Sinto-me tão sufocada. Quero comprar uma passagem, sozinha, alugar uma casa, sozinha, e lá viver por um mês. Aceitarei visitas. Só não conte a ninguém qual "eu" você foi visitar. 

Friday

The Shift.

Eu beberia Nova Iorque inteira. 
Quem nunca? 

Tuesday

Franco.

E lá vou eu, sonhando vidas com você de novo. 

Sunday

2008 - Biography.

Comecei achando que seria cantora. Era completamente apaixonada por Axl Rose e seu estilo de vida.

Dez anos depois, aos 17,  eu era estagiária de redação em um agência de marketing direto. Um ano mais tarde comecei a me interessar pelo que tinha ali fora do prédio e larguei tudo: fui pedir estágio na O2 filmes.

Depois de ser terceira assistente de produção nos comerciais de Delícia, Doriana e Qually, percebi que a vida não era um comercial de margarina. Então peguei um ônibus, fui até a DM9DDB e entreguei meu currículo para a recepcionista. Depois de duas semanas eu começaria a minha jornada de quatro anos na agência.

Nesse meio tempo me formei na FAAP em Publicidade, fiz triathlon, corrida, jazz, squash, mochilão na Europa e uns curtas-metragens. Até que um belo dia comecei a me interessar pelo que tinha ali fora do Brasil e larguei tudo: fui morar 3 meses em Los Angeles e estudar cinema.

Em agosto de 2005 volto para o Brasil e percebo que não sou feliz se não puder viajar e ver o que tem pra ser visto.  Então vislumbro minha vida mais ou menos assim: uma vez ao ano saio do país e passo um mês, o tempo das minhas férias do trabalho, lá fora.

Não. Eu não tinha um trabalho fixo nesta época. Eu era uma montadora freelancer. E sim, querer ver o mundo pode parecer uma contradição para quem gosta de ficar numa sala escura e fria o dia inteiro.
Foi nesta tensão que descobri que a Internet é a melhor coisa do século. Assim como blogs, opiniões, tendências, moda, conteúdo e planejamento.Por isso me inscrevi num concurso e fui selecionada para trabalhar no Talent Lab.

Nesse meio tempo conheci o Peru, voltei a Buenos Aires e quero mais um verão na Europa (meu sonho, bem na verdade, é fazer uma viagem só indo atrás de festivais de música, cinema e publicidade).

Hoje ainda moro com minha família, tenho uma quase-nova na Agência Babel, acredito na Internet e em alguns seres humanos, e meu namorado atual está indo morar fora do país. Bem. Ainda bem que o futuro e o amor são digitais. 

Já disse Daft Punk.