Friday

Copenhagen, 2008


Coisas que ganhamos pelo caminho.

Elas reaparecem assim, só para termos mais certezas. Já são nossas, estão dentro. Por vezes, empoeiradas. E daí vem uma brisa e assopra tudo: 'Sssshhhhhhh....'

É bonito.

Wherever you go, go with all your heart.


Wherever you go, go with all your heart.
Confucius

Não cheguei a escrever sobre a passagem do ano novo. Mas ali decidi algumas coisas, principalmente porque naquele momento não tinha nada 'concreto' na mão. Por isso foi assim, livre. E por isso essa imagem voltou hoje à minha cabeça: trocas, sorrisos largos e cheios de vida, no dia mais bonito, posterior à um de conclusões chegadas em uma longa caminhada pela praia de Cabo Polonio.
Pronto: eu não mais voltaria a determinadas situações.
Está funcionando.

Não se leva arroz em festa!

Na frente da sua casa.

Hoje eu passei na frente da sua casa e a porta estava aberta. Eu quis entrar e subir as escadas. Eu quis andar no corredor e sentir o mesmo arrepio do inverno passado. Eu quis ouvir os seus passos e o seu perfume se aproximando. Eu quis ouvir o barulho da chave virando e a minha respiração aumentando. Eu quis lembrar do seu sorriso que se abria. Eu quis ouvir a sua voz.
Eu quis ouvir a minha voz. Eu quis ouvir o meu coração. Eu quis você me pegando pela mão. Eu quis lembrar do vento gelado do corredor que ficava escuro enquanto a porta batia devagar. Boom! Eu quis lembrar de tudo o que esqueci.

Hoje, quando passei na frente da sua casa e a porta estava aberta, eu deixei um beijo no ar.
Porque se um dia você voltar, se um dia você voltar, talvez o alcance antes de evaporar.

Tuesday

Desconsideração.

você é a maior vergonha que já senti de mim mesma. e a maior mentira que já ouvi. o maior erro que já comenti. o maior amor que senti.

Thursday

tudo aquilo que aprendi cabe numa folha pequena de papel. num guardanapo simples, daqueles de um café qualquer. é tudo tão pouco que posso contar em um tempo tão curto como uma corrida de taxi. enquanto cruzamos a cidade, do ponto A ao B, tudo o que aprendi soará tão previsível, raso e insignificante como a história deles mesmos, meros imigrantes, meros taxistas. trabalhador, tudo aquilo que possuo é uma rotina sem sal, sem sabor, sem amor.
o tempo?
o tempo é curto e nem um sopro da minha história te faria prestar atenção, ser cativado por mais de trinta segundos ou pelo tempo de um semáforo fechado. o tempo é você quem vai julgar, enquanto que a mim... a mim mesmo há de curar.

tudo aquilo que aprendi cabe numa folha pequena de papel. num guardanapo simples que pode ser jogado ao tempo, ao vento.
assim, pode ser que o vento o leve longe e alguém muito distante ache. em meio a um vendaval como nunca antes visto naquele povoado, em meio a ventania que antecede uma enxurrada de mudanças para quem ali vive.
e talvez assim a minha cura, só talvez... seja que tudo aquilo que aprendi seja desdobrado e desdobrado e desdobrado. recontado para o resto daquelas vidas.




Nova Iorque, 18 de Abril de 2012.

Saturday

não-ele.

é um saco porque dói como muito não doía. é um saco porque você passa a se perguntar onde se escondeu aquela alegria toda, e aquele sorriso todo de quem esconde um amor por baixo da manga.
o olhar já não brilha mais como antes e agora anda cabisbaixo.
os amigos te pegam no colo, pegam na sua mão mesmo estando muito, muito longes mas mesmo assim, mesmo assim... dói como há muito não doía.
a cidade fica mais barulhenta, os taxis correm mais rápido, a poesia mental que antes falaria amor agora fala dor.
as pessoas novas que aparecem ainda não chegam aos pés dele, você evita certas ruas e bairros, a raiva toma conta do coração e do corpo, que adoece ao mesmo tempo que as flores florescem lá fora.
e você se dá conta da desilusão que vive.
e que vive andando lado a lado com você.

Sem medo.

quando eu deixei de gostar de você
era porque eu precisava gostar mais de mim.

e quando eu finalmente passei a gostar mais de mim,
eu aprendi a amar você.
sem medo.